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Trio encapuzado rende vigilantes e rouba arsenal com 23 revólveres e 12 espingardas em empresa de segurança na Zona Sul de SP

  • 8 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Três homens encapuzados e armados roubaram um arsenal de uma empresa de segurança na manhã de domingo (7), na Rua Antonio José Viveira, no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo.

Segundo o boletim de ocorrência e a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o vigilante da empresa abriu o portão sem perceber que os suspeitos estavam encapuzados porque mexia no celular. Ele foi rendido e, em seguida, os criminosos aguardaram a chegada de outros funcionários.

Outro vigilante, que chegou logo depois, também foi rendido e teve o rosto usado para o reconhecimento facial para liberar o acesso aos criminosos à sala operacional.

Na sequência, a responsável pela sala de armas, que normalmente não trabalha aos domingos e havia sido avisada na sexta-feira que trabalharia naquele dia, também chegou ao local e foi imobilizada pelos criminosos.

Com os funcionários rendidos, os três homens entraram na sala de armas e subtraíram 23 revólveres calibre 38, 12 espingardas calibre 12, 270 munições calibre 38 e 171 munições calibre 12, além do revólver particular de um dos vigilantes.

As vítimas relataram que os criminosos estavam armados com revólveres e pistolas. Elas foram mantidas ajoelhadas, viradas para a parede. Ninguém ficou ferido e nenhum pertence pessoal foi levado.

Depois do roubo, os funcionários acionaram a Polícia Militar, que fez varredura interna e buscas nas imediações, mas não encontrou os suspeitos. O local possui câmeras de segurança.

A ocorrência foi apresentada no 11º Distrito Policial (Santo Amaro), que requisitou perícia. As buscas continuam para localizar os criminosos e recuperar as armas e munições subtraídas.

Fonte: Por Bruno Tavares, Abraão Cruz, TV Globo e g1 SP



Avaliação técnica do gestor de segurança pública e privada Márcio Pivaro:

“O cenário apresentado deixa claro que a primeira ruptura ocorreu no controle de acesso — e isso não é detalhe, é a espinha dorsal da segurança. O vigilante distraído pelo uso do celular perdeu completamente a consciência situacional, permitindo que indivíduos encapuzados se aproximassem sem qualquer barreira. Em uma empresa que guarda armamento, essa falha é inaceitável.

Outro ponto crítico é a rotina operacional viciada. A crença de que ‘aqui nunca acontece nada’ gera acomodação, reduz o nível de vigilância e transforma o posto em alvo fácil. A rotina, quando não supervisionada e atualizada, vira inimiga da segurança.

Além disso, a empresa deveria operar com um controle de acesso mais rigoroso, com procedimentos obrigatórios de verificação visual, confirmação de identidade e abertura de portão apenas após checagem completa. O protocolo precisa ser rígido justamente para compensar o fator humano, que sempre é o elo mais frágil.

Também há falha estrutural: faltou monitoramento ativo. Uma central de monitoramento dedicada, com câmeras voltadas para a área externa e supervisão em tempo real, teria detectado a movimentação suspeita antes da abordagem. A ausência desse recurso demonstra fragilidade sistêmica.

O conjunto de falhas — disciplina operacional baixa, rotina acomodada, controle de acesso fraco e monitoramento insuficiente — criou o ambiente perfeito para que a ação criminosa tivesse êxito. Em operações que lidam com armas, essas brechas não podem existir.”


Completa

"Há outro ponto que a empresa não pode ignorar: a inteligência pós-evento. Um roubo dessa complexidade não costuma acontecer apenas por oportunidade — muitas vezes, ele depende de informações internas, horários, escalas e detalhes operacionais que não deveriam ser de conhecimento externo.

A empresa precisa abrir imediatamente uma apuração para verificar possível vazamento de informações, seja por descuido, rotina previsível ou até concessão indevida de privilégios que facilitaram o acesso dos criminosos. Quando um ataque ocorre exatamente no horário em que a responsável pela sala de armas foi convocada excepcionalmente a trabalhar, isso por si só já exige investigação minuciosa.

Esse tipo de análise não é sobre acusar, mas sobre entender se houve conivência, quebra de sigilo ou simples exposição de dados internos que facilitaram a ação. Empresas que lidam com armamento precisam operar com política clara de “need to know”, restringindo informações sensíveis apenas ao necessário.

Sem essa verificação de inteligência, a empresa corre o risco de reforçar a estrutura física, treinar equipe, instalar câmeras novas… e mesmo assim continuar vulnerável ao fator interno.

A segurança física falhou, mas agora é hora de investigar se a segurança da informação também foi comprometida. Sem isso, não existe correção completa do incidente.”


Marcio Pivaro é gestor de segurança pública e privada, especialista em segurança corporativa, instrutor de segurança credenciado pela Polícia Federal e atua na área há mais de 20 anos


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